quinta-feira, 24 de julho de 2014

Desejos e Deveres

Então, após a penúltima sessão de quimio, (resta só mais uma, que será aplicada  dia 25 do mês corrente, Graças a Deus , Aleluia!), eu fui a uma consulta com a minha oncologista, uma ótima  profissional., mas.. do tipo ´´- A médica aqui sou eu, faça o que mando, não faça perguntas." Acho que desenvolvi um certo tipo de implicância com a sua pessoa, rsrsrsr. Talvez porque foi ela que disse que eu estava com câncer e que eu precisava fazer quimioterapia. É óbvio que ninguém gosta de ouvir isso. Foi ela também que disse que ia ficar sem meus cabelos. Depois disse que eu ia ter que injetar insulina nas veias porque a medicação ia fazer aumentar a taxa de glicose de tal maneira que os comprimidos que tomo para diabetes não iriam ser suficientes.Quando tive problemas com um dente, disse que não deveria fazer tratamento dentário pois correria riscos de infecção ou hemorragia. Pediu tambem para que fossem evitados beijos e abraços, aglomerados de pessoas para não ficar expoata  a  infecções, e quando disse que pretendia visitar a família em agosto, uma semana depois da  ultima sessão, achou a idéia absurda e irresponsável...rsrsr. Em resumo ficou dificil para mim nutrir simpatia por alguém que diz: - Não saia de casa, não viaje, não veja, não beije nem abrace amigos ou  familiares,fique careca e sem dentes, sentada num sofá e se espetando com uma agulha. Isso por  nomínimo  quatro meses... Rsss. Bem, finalmente os quatro meses estão chegando ao fim, e o que importa é que, segundo a doutora o tumor foi reduzido a zero. 
- Que maravilha! Dissse eu. Então não vai ser necessário cirurgia ou radioterapia? E lá vem ela  novamente dizer coisas que eu não queria ouvir. Disse que o tumor foi reduzido, mas posso estar com células doentes espalhadas pelo corpo e blá blá blá, blá blá blá. Enfim com todos seus argumentos  científicos, me convenceu que  preciso seguir o tratamento previsto até fim, que a pior parte está terminando, e que eu tenho me saído melhor que o esperado. Agora é rezar para que corra tudo bem na última sessão, que eu me recupere rápido e possa , na próxima semana, viajar para o Brasil, matar a saudade da família e retornar bem, com as energias renovadas para encarar as novas etapas do tratamento.

sábado, 19 de julho de 2014

Um mal necessário

Na ultima sexta feira, eu ,  e meus amigos Jorgito e Ruth saímos a caminho do hospital para a quarta sessão de químio. Minha filha não pode nos acompanhar desta vez. Estava num cruzeiro programado há mais de um ano, quando eu nem sonhava que teria um câncer. Por sorte podemos contar com a ajuda de alguns amigos nas horas que mais precisamos. Fui para a químio meio desanimada desta vez....  e hoje fui tomar a injeção para reconstrução de glóbulos brancos como alguém que vai direto para a forca. Sei que isto não e bom.. Atitude, pensamento positivo é  tuuudo!.... Mas não sou de ferro e acho que estou cansando dessa brincadeira...rsrsrs. Também depois de passar uma semana maravilhosa, me divertindo, saindo para jantar e dançar, participando da festa da torcida  brasileira, me vejo obrigada a enfrentar tudo de novo. Químio, injeção de  e seu horríveis efeitos colaterais.

Quimioterapia e um termo dado ao tratamento de  determinadas doenças usando produtos químicos específicos. No caso do câncer,  ela pode matar tanto  as células doentes como as saudáveis.

Na visão romântica da minha enfermeira são soldadinhos meio burrinhos que são injetados no seu sangue para atacar os invasores, mas como não sabem distingui-los, ataca também os inocentes. Consequentemente, ela causa efeitos secundários  como anemia, náuseas, diarreia, queda de cabelo, infecções, sangramentos devido a baixa de glóbulos vermelhos, brancos, e plaquetas.

Neulasta e uma proteína produzida pelo homem que estimula a medula óssea a promover o crescimento de glóbulos brancos. Geralmente ela e aplicada 24 horas após o tratamento quimioterápico.Seus efeitos colaterais são: dores nos ossos, dor de estomago,
   










domingo, 15 de junho de 2014

Um copo meio cheio.

Então... De seis indicadas ,estou terminando a terceira sessão de quimio. So faltam três agora. Ou diriam os pessimistas. - Ainda faltam três... É a  velha história do copo d'agua pela metade. Algumas pessoas podem olhar para ele e dizer que está meio cheio, e outras, meio vazio. O duro da quimio é não sabermos o que vamos enfrentar depois dela, porque em cada uma delas sofremos reações diferentes. Na Primeira sofri uma forte diarréia, fiquei desidratada  e a taxa de glicose foi as alturas. Na segunda tomamos providência para prevenir estas reações, mas as dores no corpo, formigamento e dormência nos pés e nas  mãos,  sonolência e fadiga se acentuaram.Um incômodo  sangramento do nariz também foi motivo de preocupação. Agora estou aguardando as reações da terceira. Rsrsrsr. Porém se levarmos em conta os diversos e assustadores  efeitos colaterais que ameaçam os pacientes desse tipo de tratamento eu ate que estou com sorte. Na verdade a quimio e um ataque de soldadinhos que entram em nosso corpo para combater as células cancerigenas, mas como eles são meio burrinhos  , não conseguem diferenciar umas das outras,então acabam atingindo também as células boas. Por isso os efeitos colaterais e a destruição dos glóbulos brancos acontece. Para construir mais glóbulos brancos entram em campo novos soldados, e com eles os novos efeitos e as novas drogas para combate-los. Enfim e uma sucessão de drogas combatendo drogas em uma guerra que parece não ter fim.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Para o mundo que eu preciso descansar.

Hoje acordei com náuseas  e com o mundo girando em minha cabeça. E olha que nem foi eu que resolvi tomar todas para comemorar o aniversário de 21 anos. Rsrsrsrs... Aqui os jovens só podem consumir bebidas  alcóolicas, ou entrar em baladas depois de completarem 21 anos, por isso carregam a besta tradição de acabar as com as bebidas de todos os bares da cidade para depois passar o outro dia vomitando até as tripas. Mas tudo bem. Para mostrar seu amor e solidariedade, minha neta resolveu passar mal comigo. -Se e pra você andar que nem um zumbi, eu vou andar que nem um zumbi com você. Depois de sucos energeticos, remédios para combater dores e náuseas - vamos ao Freedon park! Kkkkk. Eu tenho que estar bem. Eu quero ficar bem para aproveitar essa adorável visita e comemorar muito os seus 21anos.  Afinal, só se completa 21 uma vez na vida e não sei quando vamos poder nos encontrar novamente. How are you? are you fine?  como vai voce?  você esta bemmm?  -Nossa! Ultrapassa o número de estrelas do céu o número de vezes que ouço esta pergunta desde o dia que fiquei doente. Não posso reclamar. As vezes e cansativo dar as respostas a todo momento, mas isto demonstra o quanto as pessoas se preocupam comigo. Digo cansativa porque a resposta e muito grande. -  Eu estou bem, estou com náuseas, dores no estômago, diarréia, dor de cabeça, dores no corpo. Estou cansada, a cada dez passos que dou parece que andei mil kilometros. As vezes me sobe um calor pelo corpo e então começo a suar frio. Mas estou firme rsrsrsr... Tudo isso já era esperado. Os médicos e enfermeiras disseram que eu tenho que descansar, mas não tem coisa que me deixa mais cansada nesta vida do que descansar. E assim estamos chegando ao final do feriado e das comemorações com chave de ouro. Mesmo sendo uma pós sessão quimioterapica. 

domingo, 18 de maio de 2014

Perdas e ganhos

A minha oncologista e a enfermeira responsável pelas aplicações da quimioterapia já haviam confirmado que a perda de cabelo iria acontecer. Só  não sabiam dizer como, nem quando. Eu carregava comigo ainda a esperança que ele não caísse por completo e me recusava a ficar experimentando perucas, bonés lenços ou chapéus. Oito dias após a primeira sessão comecei a notar que eles começavam a cair. Fomos a um salão e cortamos o mais curto possível. Ainda não havia me convencido de eu ficaria sem um fio de cabelo na cabeça. Não importa os argumentos   que os outros usassem para me consolar; ´´- O cabelo nasce de novo``..``- A vida é mais importante que o cabelo``, ou até dos mais francos: -`` você nunca teve cabelo comprido e bonito mesmo.. não vai fazer muita diferença. Rsrsrs``. Nada diminuía a tristeza que eu sentia., Passado mais uns três dias, tufos de cabelo começaram a ficar no travesseiro, ou cair por toda a casa. Na hora do banho é que eu sentia o maior drama. Passava o shampoo e quando enxaguava esfregando as mãos na cabeça, a banheira ficava cheia de pequenos fios que iam se soltando aos montes. Era como se o couro cabeludo estivesse apodrecendo, se tornando incapaz de segura-los. Era cabelo na cama, cabelo no chão, cabelo na mesa, um horror. Então não havendo outra saída, com a ajuda do meu genro e da minha filha, nos livramos dos poucos fios que tentavam resistir e por fim passamos a máquina zero. Tive vontade de chorar, fazer drama, mas achei que era coisa para filme ou  novela, e desisti.  No domingo seguinte ao fato, esperava apenas uma amiga que havia ligado dizendo que viria para o lanche da tarde;  mas fui surpreendida com a chegada de mais e mais amigas, trazendo pratos de comida vegetariana e plantas nas mãos.  Era a ´´Garden`s Party´´ , . [Festa do jardim], uma festa surpresa que minha filha havia planejado para mim. Conversamos, comemos coisas leves e saudáveis e rimos muito. Me senti amada, encorajada e ainda ganhei quase tudo para dar inicio ao projeto da construção da nossa própria plantação de ervas, que há tempos havíamos planejado, mas que ainda não havia saído do papel. Este domingo foi especial para mim. Com certeza vou guarda-lo na memória por toda vida. Perdi meus cabelos, porem ganhei a satisfação de sentir que sou amada e tenho vários familiares que se preocupam  com a meu bem estar e torce para que consiga superar a doença.
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dias das mães



 
Hoje não acordei tão bem como gostaria de acordar. Meu nariz não para de sangrar, meus ossos doem, minhas pernas estão adormecidas e uma pequena onda de auto piedade e tristeza quer tomar conta de mim... mas auto lá. Hoje e dia das mães! Minha família espera por mim. Enquanto espero em meu quarto, o aviso de que o café da manhã esta pronto, falo com minha filha mais velha pelo Skype e leio mensagens dos outros. Minha filha  Andreia preparou uma linda mesa de café da manhã, com flores, comidas parecidas com as comidas brasileiras e muitos presentes. Juntei os presentes recebidos aqui aos que vieram do Brasil. Um livro,uma melissinha, enviados pela Amanda e dois desenhos feitos pelos netos Rafael e Ariel. O Rafael desenhou a nossa casa, eu pegando um avião indo para São Paulo e ele me esperando lá no Brasil. Disse que está com saudades e aproveitou para pedir um presentinho.. rsrsr,. Esperto esse garoto. A Ariel, como sempre , doce e solidária desenhou eu e ela sem cabelo.[Que gracinha]. Ficamos a manhã inteira lendo mensagens, filmando e fotografando os presentes. Afinal, momentos importantes assim devem ser registrados. É certo que dia das mães é todo dia e que merecemos carinho e respeito sempre, mas é gostoso receber presentes, nem que seja um bilhetinho, um cartão. É bom ter um dia especial só para nós, sermos lembradas e sentir o quanto reconhecem o nosso valor. Não deu para ficar triste por muito tempo e nem deixar de ser agradecida a Deus por ter me dado filhos tão bons, atenciosos e netos tão maravilhosos como os meus. Tristeza e pensamentos negativos espantados, fomos almoçar na casa da nossa amiga Lorena e passamos o rosto do dia na piscina relaxando, confiantes de que esta é uma situação passageira e que muitos momentos bons , ainda serão vividos.

domingo, 11 de maio de 2014

Boas noticias


Hoje era dia de retornar ao hospital para fazer uma avaliação geral do tratamento. Minha consulta era as treze horas, mas saímos de casa as nove para que eu pudesse também participar da reunião do Grupo de apoio para doentes de câncer de mama. Essa semana eu não fui para a escola ainda. Na segunda e terça feira estava com tantas dores nas pernas e fadiga que não fui capaz de levantar da cama , e hoje fomos ao hospital. A Andreia me deixou na porta do hospital e foi fazer seus exercícios diários. Combinamos não pedir intérpretes, porque assim eu era forçada a escutar e  falar inglês. Na reunião havia catorze mulheres doentes de câncer  de mama. Algumas que já haviam se curado do câncer transmitiram sentimentos encorajadores e deram sugestões para solucionar problemas que vão aparecendo durante o tratamento, outras em diferentes estágios e tipos de tratamento falaram sobre seus problemas e fizeram perguntas para esclarecer algumas de suas duvidas. Depois da reunião fomos almoçar num restaurante próximo ao hospital para que não nos atrasássemos para a consulta. Chegamos no consultório da doutora de nome estranho as treze em ponto. Não iriamos ver a Dipika, seriamos atendidos apenas por sua enfermeira assistente, o que nos dava um certo alivio, uma vez que desde a primeira vez que a vimos, talvez pelo fato de se portadora da noticia de que eu estava realmente com câncer  não nos simpatizamos muito com ela.  A enfermeira fez algumas perguntas, esclareceu duvidas, prescreveu receitas e mediu  o tumor. Fiquei feliz quando ela confirmou uma diminuição de mais de um centímetro do de tumor.